Microsoft testa protótipo de Edge no iOS e supera Safari em quase 30% de desempenho
A disputa pelo domínio da web móvel ganhou um novo capítulo. Engenheiros da Microsoft publicaram resultados de benchmarks indicando que um navegador baseado em Chromium, utilizando seu próprio motor de renderização, superou o Safari em 28,6% no teste de desempenho Speedometer 3.1, em um ambiente iOS.
O teste de desempenho
Kyle Pflug, gerente de produto do grupo Microsoft Edge Web Platform, detalhou os testes utilizando um protótipo de pesquisa do Edge, construído com o framework BrowserEngineKit da Apple. Os resultados foram claros: a versão baseada no motor Blink alcançou 49,27 pontos contra 38,3 do Safari no Speedometer 3.1.
Além disso, o protótipo também registrou superioridade em outros testes, superando o Safari em 13,1% no benchmark JavaScript JetStream 3 e em 2,1% no MotionMark 1.3.1. É importante notar que Pflug descreveu o software como um protótipo de pesquisa e não um produto final, ressaltando que os números são preliminares e obtidos em condições de uso doméstico, não em laboratórios controlados.
O gargalo das regras da Apple
Atualmente, a Apple impõe que todos os navegadores no iOS utilizem obrigatoriamente o WebKit, o mesmo motor do Safari. Isso significa que, na prática, opções como Chrome ou Firefox no iPhone são apenas “skins” do Safari. Embora a Lei de Mercados Digitais (DMA) da União Europeia tenha determinado, em março de 2024, que a Apple permitisse motores alternativos via BrowserEngineKit, até o momento, nenhuma desenvolvedora lançou um navegador com motor próprio no iOS.
Empresas do setor apontam barreiras técnicas e a exigência de que qualquer navegador com um motor diferente seja publicado como um aplicativo totalmente separado da versão baseada em WebKit como os principais obstáculos. Vale lembrar que, para os usuários brasileiros, a experiência de navegação no iPhone permanece limitada a essas diretrizes globais da Apple, já que não há, até o momento, flexibilizações específicas para o mercado nacional.
Impacto e perspectivas
O grupo Open Web Advocacy criticou o cenário, sugerindo que a restrição de motores de navegador permite que a Apple limite as capacidades da web móvel e mantenha negócios dependentes de aplicativos nativos e das regras da App Store. Essa movimentação da Microsoft reforça a discussão sobre a competitividade no ecossistema mobile, um tema que, assim como o posicionamento do CEO da Nothing, Carl Pei, em relação aos clientes da Apple, continua a pautar o mercado de tecnologia global.
A evolução das plataformas móveis segue sendo um tópico complexo, envolvendo desde a otimização de softwares até regulamentações internacionais rigorosas. Enquanto o ecossistema de aplicativos lida com desafios internos em grandes empresas de tecnologia, a possibilidade de navegadores mais rápidos no iPhone permanece como uma promessa técnica que depende, em última instância, de um equilíbrio entre conformidade regulatória e as decisões de infraestrutura da Apple.

