Maryland contesta cobrança de US$ 2 bilhões por expansão de rede voltada a data centers
O estado de Maryland, nos Estados Unidos, apresentou uma queixa formal ao órgão regulador federal de energia contra o plano da PJM Interconnection. A operadora de rede elétrica pretende cobrar US$ 2 bilhões do estado para financiar atualizações na infraestrutura energética, alegando a necessidade de suportar a crescente carga dos centros de dados.
O governo de Maryland argumenta que a maior parte dessas melhorias de rede beneficiará exclusivamente os grandes data centers, que têm demandado quantidades massivas de energia para sustentar operações de inteligência artificial. O ponto central da disputa é que o estado afirma que a maioria desses empreendimentos está sendo construída em regiões vizinhas, enquanto a conta da infraestrutura recai desproporcionalmente sobre os contribuintes e consumidores de Maryland.
A situação reflete uma crise global de infraestrutura, onde a escassez de recursos e o aumento da demanda por chips e capacidade computacional pressionam setores que vão muito além da tecnologia. O consumo de energia por parte de data centers de IA tornou-se um debate acalorado também em outras regiões, envolvendo disputas políticas que, por vezes, ganham contornos inesperados, como a recente tensão envolvendo figuras políticas e o uso de solo para expansão de centros de dados em Utah.
Até o momento, não há informações sobre planos de expansão idênticos a este modelo de cobrança da PJM para o território brasileiro. Projetos de infraestrutura energética no Brasil seguem regulamentações específicas da ANEEL e o panorama de custos para expansão de rede voltada a data centers possui dinâmicas locais distintas, sem correlação direta com os encargos discutidos no caso norte-americano.
A disputa entre o estado de Maryland e a PJM coloca em evidência o desafio de equilibrar a rápida expansão da tecnologia de inteligência artificial com a viabilidade econômica da infraestrutura pública. O desfecho dessa reclamação no regulador federal servirá como um precedente importante para a forma como o setor elétrico deve gerenciar os custos operacionais impostos pelo crescimento dos data centers nos próximos anos.

