Após mais de um ano de negociações, Apple e Intel estabeleceram um acordo preliminar que prevê a fabricação de processadores para dispositivos da gigante de Cupertino pela Intel, segundo informações divulgadas pelo The Wall Street Journal. A parceria marcaria uma mudança estratégica significativa na cadeia de suprimentos da Apple.
A estratégia de fabricação
O modelo proposto indica que a Intel fabricaria chips baseados em arquitetura própria da Apple, atuando de maneira semelhante ao que a TSMC faz atualmente. Especulações anteriores apontavam que a Intel poderia ficar responsável por processadores de entrada da série M, presentes em modelos selecionados de iPad e Mac. A iniciativa é liderada por Lip-Bu Tan, que assumiu o comando das operações de manufatura da Intel com o objetivo de revitalizar o segmento de fundição da empresa.
O foco de Tan está na tecnologia de ponta, especificamente no processo 14A, previsto para entrar em produção em 2028, além das soluções de 18A (processo de 1,8 nm). Vale ressaltar que, embora a Apple utilize seus próprios chips baseados em ARM, a produção é centralizada na TSMC, empresa que também atende clientes de alto volume como a Nvidia. A alta demanda por servidores voltados à inteligência artificial tem pressionado a capacidade da TSMC, o que teria levado a Apple a buscar alternativas para diversificar sua linha de montagem e evitar gargalos produtivos, como os observados recentemente na disponibilidade dos chips A19 e A19 Pro para os modelos de iPhone 17.
Contexto e mercado
A relação entre Apple e Intel possui um histórico complexo, uma vez que a Apple abandonou os processadores da Intel em seus computadores em favor do “Apple Silicon” para obter maior controle sobre o ciclo de atualizações. Além disso, a Intel historicamente ficou atrás de concorrentes como TSMC e Samsung em termos de litografia avançada. A busca por novos fornecedores de componentes eletrônicos segue um padrão observado em diversos setores da tecnologia, como visto na análise sobre falhas em sensores de dispositivos vestíveis ou na transição tecnológica que afeta novos dispositivos de entretenimento doméstico. É importante destacar que, no Brasil, a disponibilidade de componentes individuais para reparo ou montagem de hardware por parte dos usuários finais é restrita, e os produtos Apple citados são importados, sujeitos às variações cambiais e taxas de importação locais.
A concretização desse acordo entre Apple e Intel representa um movimento cauteloso para reduzir a dependência exclusiva da TSMC e fortalecer a resiliência da cadeia logística global da Apple. A viabilidade técnica desta transição dependerá do sucesso da Intel em escalar seus processos de fabricação mais modernos nos próximos anos, enquanto a Apple avalia o equilíbrio entre segurança de fornecimento e o desempenho esperado de seus chips de alto desempenho.

