A lacuna na gestão de riscos climáticos: especialistas defendem escuta ativa da sociedade
Identificar e analisar riscos climáticos é uma função essencial dos governos ao redor do mundo. No entanto, pesquisadores do Environment Institute da Universidade de Adelaide argumentam que esses processos, por si sós, não garantem resultados eficazes. Para que as políticas ambientais saiam do papel e gerem impacto real, é preciso ir além dos dados técnicos.
O fator humano nas decisões
Segundo o estudo, o erro estratégico de muitas gestões está em ignorar a percepção pública sobre o que é considerado um “risco inaceitável”. Sem entender quais ameaças a comunidade prioriza e teme, as respostas governamentais correm o risco de serem ineficientes ou descoladas da realidade vivida pela população. A ciência aponta que a governança climática bem-sucedida exige uma integração entre a análise de dados e a subjetividade das prioridades sociais.
Disponibilidade no Brasil
Embora a discussão acadêmica seja global e aplicável ao contexto brasileiro, ainda não existe um mecanismo unificado no Brasil que formalize essa “escuta social” de forma obrigatória nas diretrizes nacionais de gestão de riscos climáticos. O país segue avançando em monitoramentos espaciais e pesquisas complexas, muitas vezes comparáveis ao nível tecnológico de missões como a do foguete da missão Artemis 3, mas o desafio de traduzir esses dados em políticas democráticas e participativas permanece como um debate aberto na esfera pública.
Tecnologia e o futuro das decisões
O avanço de novas ferramentas, incluindo a inteligência artificial — que recentemente viu competições intensas como o lançamento do Daybreak pela OpenAI —, pode vir a facilitar a análise desses grandes volumes de opinião pública. No futuro, sistemas inteligentes poderão processar o que a sociedade considera prioritário, auxiliando gestores na tomada de decisão sobre quais riscos ambientais devem ser combatidos primeiro.
A questão da gestão climática segue como um tema em constante evolução e que desperta diferentes pontos de vista na comunidade científica e política. A busca pelo equilíbrio entre a precisão dos dados técnicos e o acolhimento das preocupações da sociedade continua sendo o centro das discussões sobre o futuro das políticas ambientais ao redor do mundo.

