Ex-presidente da Sony SIE, Shuhei Yoshida, afirma que jogos AAA padronizados não são o futuro da indústria.

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Ex-executivo da Sony defende que jogos independentes são o futuro da indústria

Yoshida Shuhei, ex-presidente da Sony Interactive Entertainment (SIE), compartilhou suas reflexões sobre o futuro dos jogos em uma entrevista recente com o GameSpot. Após deixar a PlayStation, Yoshida tem dedicado seu tempo a explorar uma vasta gama de títulos, chegando a jogar cerca de 250 jogos por ano.

Essa imersão no mundo dos games, segundo ele, é uma faca de dois gumes. A vantagem é a capacidade de acompanhar a evolução constante da indústria, mas a desvantagem é a raridade de jogos AAA (grandes produções) em sua lista de reprodução. “Eu não jogo muitos jogos AAA agora, porque eles consomem muito tempo”, explicou Yoshida.

O último jogo AAA que ele experimentou foi Elden Ring, mas não chegou a finalizá-lo, passando então a jogar Nioh 3. Apesar de ocasionalmente se aventurar em títulos de grande orçamento, Yoshida acredita firmemente que os jogos independentes são mais criativos. “Você pode sentir a visão do desenvolvedor em jogos independentes, porque eles não precisam de aprovação prévia. Eu trabalhei em uma grande empresa como a PlayStation, e mesmo que desenvolvedores e estúdios pudessem apresentar ideias, muitas pessoas estariam envolvidas e muitas reuniões seriam necessárias.”

Ele ressalta que os jogos AAA geralmente são o resultado de uma visão coletiva, em vez de uma expressão individual. “Talvez Hidetaka Miyazaki e Hideo Kojima sejam exceções, e você possa sentir uma forte criatividade pessoal em seus jogos, mas a maioria dos jogos AAA é fruto do pensamento de uma equipe. Um grande orçamento significa que o jogo deve ser aceitável pela maioria das pessoas, o que sacrifica a individualidade.” Yoshida também mencionou ter enfrentado situações na PlayStation em que a criatividade era limitada em prol de atender a interesses maiores.

Um exemplo citado foi o desenvolvimento dos jogos de ritmo Frequency e Amplitude pela Harmonix (conhecida por Guitar Hero). A restrição de ideias em prol de um consenso interno parece ser um problema inerente a grandes empresas do setor.

📝 Nota do Especialista Tec Arena

A visão de Yoshida Shuhei é um reflexo da crescente importância dos jogos independentes no cenário atual. Enquanto os títulos AAA continuam a dominar as vendas e a atenção da mídia, os jogos indie oferecem um espaço para experimentação e inovação que muitas vezes é sufocado pelas exigências comerciais das grandes produtoras. A liberdade criativa e a paixão dos desenvolvedores independentes resultam em experiências únicas e memoráveis, e a tendência é que essa cena continue a florescer, moldando o futuro da indústria de jogos. Vale lembrar que, no Brasil, o acesso a jogos indie é facilitado por plataformas digitais como Steam e GOG, mas a disponibilidade física ainda é limitada.


Via: IT之家

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Tec Arena