A dinâmica perigosa: profissionais do sexo em lives da “manosfera” buscam engajamento, mas encontram hostilidade
Uma nova tendência tem chamado a atenção no ecossistema das plataformas de streaming e redes sociais: a participação de profissionais do sexo em transmissões ao vivo de influenciadores associados à chamada “manosfera”. O objetivo, em tese, é o crescimento mútuo e a ampliação do alcance de público (o famoso cross-promotion). No entanto, o que deveria ser uma estratégia de marketing tem se tornado, com frequência, um palco para episódios de degradação e assédio público.
Essas colaborações, muitas vezes justificadas pela busca de novos seguidores em um ambiente de alta visibilidade, frequentemente ignoram os riscos inerentes à cultura desses canais. Influenciadores focados nesse nicho, como figuras virais que dominam o algoritmo, utilizam a presença dessas convidadas não para promover um diálogo construtivo, mas para validar discursos misóginos sob a justificativa de “entretenimento” ou “debate polêmico”.
A exposição além das telas
O fenômeno levanta questões importantes sobre como a economia da atenção tem moldado as interações humanas. Enquanto a internet parece estar sendo cada vez mais reconstruída para máquinas, o elemento humano nas transmissões ao vivo segue sendo explorado para gerar engajamento rápido, independentemente das consequências emocionais ou da reputação dos envolvidos.
É fundamental notar que, embora este fenômeno seja crescente nos Estados Unidos, a dinâmica de influenciadores da “manosfera” que operam dessa forma não é uma prática centralizada ou predominante no mercado brasileiro de streaming. O ecossistema de produtores de conteúdo no Brasil, embora também lide com polêmicas de engajamento, possui peculiaridades culturais próprias que dificultam a transposição exata deste modelo de negócios para o nosso território.
O custo do crescimento
Muitas dessas profissionais relatam que, ao aceitarem o convite, são surpreendidas por roteiros que fogem do profissionalismo, sendo alvo de perguntas invasivas ou comentários depreciativos destinados a inflamar o chat. Esse comportamento reforça uma bolha onde o respeito é substituído pelo choque, muitas vezes para contornar ou mesmo desafiar as políticas de moderação das plataformas — que, tal como o Google ajusta os limites do Gemini diante de críticas, enfrentam constantes desafios para moderar discursos de ódio em tempo real.
Conclusão
A relação entre influenciadores da “manosfera” e profissionais do sexo nas plataformas de streaming é um reflexo das tensões atuais nas redes sociais. A busca por visibilidade em um ambiente digital altamente competitivo impõe escolhas complexas para criadores de conteúdo e convidados. A forma como esses encontros são conduzidos e como o público reage a eles permanece um tema de debate, sem que haja, até o momento, um consenso sobre os limites éticos e as responsabilidades das plataformas na mediação desses espaços.
Via: WIRED

